Seminário Internacional de Educação Integral reúne arquitetos e educadora para refletir sobre reconhecimento e ocupação do espaço para aprendizagem

“A escola por excelência é a cidade toda.” Com essa definição, o arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha defende que os pais não deveriam levar seus filhos à escola de automóvel, mas aproveitar todas as oportunidades de aprendizagem que o espaço público oferece durante o trajeto.

Autor de projetos renomados, como a reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Ginásio Club Athlético Paulistano e o Sesc 24 de Maio, o arquiteto e urbanista trouxe reflexões sobre o reconhecimento do território como um espaço de aprendizagem. “O espaço é feito por nós, não pela parede ou pelo degrau”, defendeu, ao mencionar o papel da arquitetura é amparar a imprevisibilidade da vida. Nesse sentido, as cidades contemporâneas deveriam ocupar espaços de diferentes formas e com novas utilidades.

Na abertura do 4º Seminário Internacional de Educação Integral, promovido pela Fundação SM no último dia 28 de agosto, a educadora Bel Santos Mayer, gestora da Rede LiteraSampa, deu exemplos de como os espaços da cidade podem ser ressignificados. Filha de um metalúrgico e de uma empregada doméstica, ela resgatou suas memórias familiares para contar que a sacristia de uma igreja católica foi o lugar onde encontrou tranquilidade para estudar na periferia da zona leste de São Paulo. “Era um lugar de silêncio para o estudo e para a leitura, uma quietude que a casa não dava”, lembra.

A educadora ainda apresentou outras duas histórias para ilustrar a ressignificação dos espaços. Em Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo, um grupo de jovens que pulava o muro da escola para fazer rimas e ler “O Capital”, Karl Marx, conseguiu um contrato de comodato da Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) para construir uma biblioteca. Já em Parelheiros, na zona sul, o espaço de leitura “passou dessa para melhor” e ocupou a antiga casa de um coveiro do Cemitério de Colônia. “Ocupar um espaço induz mudanças de olhares dentro do território”, defendeu Bel.

Nesse sentido, a arquiteta e urbanista Beatriz Goulart também discutiu o papel da arquitetura, que não é de deixar a escola mais bonita, com inovações tecnológicas e espaços coloridos. “Isso não muda o DNA. Não se trata de desenhar espaços para aprendizagem, mas abrir espaço para a educação ao longo da vida e em qualquer lugar.”

Ao tratar da relação entre a escola e a comunidade, a arquiteta também chamou atenção para a forma convencional como os espaços estão formatados. “Uma coisa que temos perdido nas nossas escolas é a possibilidade de olhar [a cidade]. Nós olhamos apenas para onde nos permitem, e o horizonte está muito curto”, concluiu.

Fonte: Porvir.org



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