Governos ao redor do mundo têm buscado respostas rápidas às legítimas preocupações com a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes na internet. A Austrália, ao proibir o acesso a redes sociais de quem tem menos de 16 anos de idade, tornou-se o exemplo mais visível de uma medida que tem forte apelo emocional e, no imaginário coletivo, oferece a sensação de uma ação firme contra um vilão claro.
Mas especialistas e organizações como o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) alertam que, por trás dessa aparente solução, a medida é um paradoxo que pode, na prática, fragilizar ainda mais aqueles que pretende proteger. “Essas restrições refletem uma preocupação genuína: crianças enfrentam bullying, exploração e exposição a conteúdos prejudiciais, com impacto negativo sobre sua saúde mental e bem-estar […] Embora o Unicef saúde o crescente compromisso com a segurança online, o banimento de redes sociais também acarreta seus riscos e pode até ter efeito contrário ao desejado”, afirma a entidade em um posicionamento divulgado em dezembro.
O Unicef lembra que as redes sociais “não são um luxo” para muitos jovens, que buscam informações, conexões, entretenimento e a possibilidade de autoexpressão. Se forem simplesmente proibidos de acessá-las, podem acabar migrando para ambientes e aplicativos de mensagens mais obscuros e, portanto, menos regulados. Espaços como canais de chat em aplicativos de nicho ou ambientes de jogos frequentemente possuem moderação de conteúdo mais frouxa (ou nula), expondo os jovens a comportamentos nocivos longe de qualquer supervisão ou mecanismo de segurança.