Um quinto dos adolescentes já foi alvo de contato sexual na internet, revela a última pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada com 2.370 entrevistas. É perturbador o retrato do ambiente digital infantojuvenil revelado em reportagem do GLOBO. Um em cada cinco jovens de 11 a 17 anos relatou ter recebido mensagem ou solicitação com conteúdo sexual. O assédio não se resume a conversas impróprias: 4% foram instados a enviar foto ou vídeo nus — proporção que chega a 9% na faixa entre 15 e 17 anos.
De acordo com o levantamento, 92% da população brasileira entre 9 e 17 anos usa a internet, o equivalente a 24,5 milhões. O primeiro acesso acontece cada vez mais cedo. Em 2016, ocorria até os 6 anos para 10%. No levantamento atual, a proporção chega a 28%. Apesar de haver algum conhecimento sobre autoproteção, apenas 57% dizem saber se um site é confiável.
É preciso reconhecer que as autoridades têm agido. Polícias civis e federal têm deflagrado operações recorrentes contra pedofilia. Houve prisões, redes foram desarticuladas, computadores apreendidos e grupos derrubados. O avanço tecnológico, porém, tem beneficiado o crime. Conteúdos se replicam em nuvem, aplicativos cifrados de mensagens e fóruns fechados. Migram de uma plataforma a outra; ressurgem minutos após a remoção. A investigação chega depois do dano. As operações policiais são indispensáveis, mas sozinhas não dão conta do problema.