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Entre o real e o digital: um convite ao diálogo

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Entre o real e o digital: um convite ao diálogo

Olá, muito prazer, meu nome é Fernanda.

Como vocês já devem ter visto na abertura do nosso site somos um grupo de cidadãos preocupados com as repercussões da internet nas nossas vidas. Como essa coluna é sobre os aspectos psicológicos e emocionais envolvidos neste tema, vou começar me apresentando, afinal vocês precisam saber quem aqui escreve. 

 

Sou uma mulher de 52 anos, paulistana, casada, mãe de dois adolescentes de 18 e 16 anos, psicóloga atuante.  Por muitos anos trabalhei com crianças e pré-adolescentes, pais e famílias. Hoje me dedico mais aos adolescentes a partir dos 17 anos e adultos, acompanhando pais e famílias que buscam apoio psicológico para trabalhar diferentes questões. Em todos os meus atendimentos aparecem os temas da educação dos filhos e da comunicação entre as diferentes pessoas que compõe a família. Vocês podem imaginar como questões relacionadas à sexualidade, ao uso de drogas e álcool e à tecnologia estão cotidianamente presentes no meu dia a dia profissional e pessoal.

 

Nós, adultos com mais de 40 anos, estamos lidando com crianças e jovens que nasceram, viveram sua infância e adolescência tendo muito disponível, à palma da mão, o mundo digital. Esse mundo, que para nós só foi apresentado na idade adulta, quando já éramos mais vividos e com mais recursos para lidar com as novidades da vida.

Mas, por que isso é importante?
Porque o horizonte que se
abriu e segue se abrindo com o
mundo digital ainda é bastante
desconhecido para muitos de nós. 

Podemos conhecer os aplicativos, os jogos que nossos jovens usam, mas desconhecemos a profundidade para onde o mundo virtual pode levar. Vocês já pensaram que o que ocorre no mundo virtual é quase invisível aos nossos olhos? Já pensaram que enquanto achamos que nossa criança ou adolescente está no quarto, jogando, ele pode estar sendo chantageado por alguém na internet a cometer atos, como se cortar, fazer coisas que coloquem sua vida em risco, se expor de maneira inapropriada ou ainda sendo “convidado” a fazer isso sob algum tipo de ameaça? Confesso que só de pensar nisso, sinto arrepios….

 

E é exatamente por esse desconforto, por essa inquietação que penso o quão pouco conhecemos sobre os impactos que as relações mediadas por telas, com gente que não conhecemos, nunca vimos pessoalmente e na verdade nem sabemos se existem da forma como se apresentam. Também ignoramos a amplitude das repercussões que o mundo digital pode trazer. Assim, fica claro imaginar que pais, educadores e profissionais ainda estão conhecendo o letramento digital para desenvolver novas ferramentas para melhor lidar com essa realidade.

 

Muitos de nós, adultos hoje, vivenciamos uma infância e adolescência brincando com os amigos na rua, no bairro, no clube, na praia… Quantos de nós não demos o primeiro beijo ou tivemos a primeira experiência sexual em uma festa na casa de um amigo, numa viagem com os amigos da escola ou do cursinho? E os jovens de hoje, onde estão vivendo essas experiências? Convivendo com os amigos de perto, longe, ou só através de uma tela? Descobrindo o prazer com vídeos pornográficos, e se distanciando das pessoas com quem realmente gostariam de estar?

Esse texto é um convite para olharmos para dentro de nós mesmos, sem julgamentos. Precisamos estar abertos ao diálogo, à troca de opiniões, a nos expor e admitir que não estamos completamente preparados para lidar com essa nova realidade trazida pela vida digital. Sejamos simples e humildes em reconhecer que está tudo bem entrar em contato com essa habilidade que estamos desenvolvendo, a refletir e, sobretudo, lidar com esse futuro que já chegou e está dentro de nossas casas, nos computadores e celulares que carregamos na mochila e, diante dos quais, passamos horas.  

Convido cada um de vocês a ter empatia, a se colocar no lugar do outro. Através desse processo será possível se aproximar das questões, fantasias, medos e desejos de quem busca na realidade virtual a satisfação de experiências que, por vezes, parecem mais acessíveis do que na vida real.

Já tivemos conquistas importantes, mas ainda há espaço para conhecer, desenvolver e nos aprimorarmos mais quanto ao letramento digital para melhor lidarmos com a realidade virtual, compondo com a vida real.


Caros adultos, que de alguma forma convivem com as crianças e jovens, proponho que juntos abracemos aqui um canal de comunicação de forma sincera e sem julgamentos, abertos a realmente aprender. Estou certa de que vamos descobrir coisas interessantes e ampliar nosso olhar para essa realidade, que veio para ficar.


Esse nosso trabalho só terá sentido se tivermos você como nosso interlocutor, interessado e aberto a refletir, avaliar e considerar novos pontos de vista conosco. Assim, me despeço neste primeiro texto. Espero que você esteja aqui no próximo, lendo, pensando e compartilhando sua reflexão. 

Obrigada pela parceria! Até o próximo artigo. 


Um forte abraço,

Fernanda

ABCD. Consciência Digital começa na infância.

A Ação Brasileira pela Consciência Digital – ABCD é uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento do ambiente digital no Brasil, especialmente nas questões das crianças e adolescentes e dos impactos econômicos das novas tecnologias na vida dos nossos cidadãos.

A ABCD é a parceira brasileira da Associação Europeia para a Transição Digital – AETD, entidade sediada na Espanha.