A pandemia deixou muitos reflexos, inclusive no digital. Durante o isolamento, as redes sociais, que se tornaram uma espécie de ponte entre as pessoas, passaram por um boom. Postar, comentar, compartilhar e aparecer se tornaram quase sinônimos de existir.
Nos últimos tempos, no entanto, esse movimento começou a dar sinais de inclinação, abrindo espaço para o low profile. Em diferentes países, governos investem em medidas para reduzir o acesso de crianças e adolescentes às plataformas digitais, big techs reforçam ferramentas de controle, pausa e supervisão e jovens passam a ocupar as redes de forma mais silenciosa e seletiva. A geração que nasceu imersa na internet parece, agora, fugir da visibilidade.
Em dezembro de 2025, a Austrália se tornou o primeiro país a proibir oficialmente o acesso de crianças e adolescentes, menores de 16 anos, às redes sociais. Pouco depois, a França avançou em um projeto semelhante, pressionada pelo presidente Emmanuel Macron após uma série de casos de suicídio de jovens associados a episódios de bullying. Espanha, Dinamarca, Reino Unido e outros países europeus discutem medidas na mesma direção, enquanto o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que estabelece a idade mínima de 16 anos para o acesso às plataformas digitais.