Revista Ensino Superior, 11/12/2025
Durante muito tempo, por questões culturais e devido às más práticas e negligência de pais e instituições de ensino, o bullying, termo em inglês para o comportamento agressivo dos “valentões” que praticam violência física ou psicológica contra colegas, foi visto como parte corriqueira do cotidiano escolar e entendido como uma forma de “brincadeira” mal compreendida. Porém, com a mudança dos costumes e avanços em áreas do conhecimento como educação, saúde e sociologia, o entendimento sobre este comportamento até então naturalizado mudou e hoje se criaram formas de combater essa prática dentro e fora das organizações educacionais.
Com o advento e evolução da internet, a prática do bullying adentra o universo online e dá origem à expressão “cyberbullying”, definido pela Unicef como o comportamento repetido destinado a assustar, irritar ou envergonhar alguém por meio das tecnologias digitais. “O que tem acontecido hoje com bastante frequência é o bullying iniciar na escola e migrar para a internet. O cyberbullying é mais danoso justamente porque pode acontecer a qualquer momento e em escala muito maior, podendo alcançar não só a escola inteira, mas pessoas que nem pertencem a ela e que sequer conhecem a vítima”, explica Kelli Angelini, advogada especialista em direito digital.
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A isso se une a educação digital, que envolve saber o que é seguro compartilhar e conversar sobre privacidade e limites. Dentre as práticas que podem ser adotadas no ambiente virtual como medidas de prevenção estão evitar expor a intimidade; não enviar fotos íntimas, com nudez parcial ou total, para outras pessoa mesmo que ela seja o(a) parceiro(a) e de confiança; e quando for atacado por alguém, não responder a pessoa e bloqueá-la.
“Importante a conscientização de que, em alguns casos, o bullying pode ser considerado crime, ou seja, seu autor pode ser implicado em investigação policial e responder na Justiça. Por outro lado, as IES também precisam se responsabilizar por levar às autoridades os casos de cyberbullying denunciados por seus alunos. Há uma subnotificação muito grande dessa prática criminosa, o que impede que o poder público tenha a real noção do problema e possa atuar para enfrentá-lo”, avalia Luís Henrique Amaral, diretor da Ação Brasileira para Consciência Digital (ABCD).