Se ainda há dúvida sobre as novas regras do ECA Digital, lei que amplia os deveres de pais e responsáveis diante do uso das redes sociais por crianças e adolescentes, uma boa saída é recorrer ao Guia ABCD de Consciência Digital. Desenvolvido pela Associação Brasileira para a Consciência Digital (ABCD), em parceria com UNESCO, Globo e Criança Esperança, o material traduz de forma prática e acessível as principais mudanças. Logo na abertura, o livreto, que é fácil de ler (tem apenas 20 páginas), mostra a importância dos pais protegerem os filhos do ambiente virtual: “Você entregaria um carro nas mãos de uma criança e deixaria que ela saísse sozinha pelas estradas?” A comparação estabelece o tom da publicação ao defender que o acesso irrestrito às plataformas digitais também exige supervisão, orientação e limites.
O lançamento do material foi motivo para um debate com especialistas sobre a gravidade que a exposição desenfreada dos menores ao algorítimo pode gerar. Entre elas, a delegada Lisandréia Salvariego Colabuono, que passou informações alarmantes: crianças de 6 anos induzidas à automutilação em transmissões ao vivo, exposição a pornografia, estupro virtual e até suicídio on-line fazem parte de um novo problema de segurança pública, mas que acontecem dentro de casa.
“O guia traz uma luz porque muitas famílias estão desorientadas”, disse a presidente do conselho da ABCD, Christina Carvalho Pinto. Não é que sejam indiferentes, mas ela se refere a falta orientação para que saibam lidar com esse desafio. “Por isso a linguagem do guia é fácil e acessível para que as famílias descubram o caminho.”